— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19“Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias.
20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.
22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’.
25Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’.
27O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. 29Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!’
30O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. 31Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”’.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Reflexão
E você? Para onde quer ir?
Esta parábola não visa tratar sobre caridade e falta de caridade. Não diz que o rico negava esmolas a Lázaro. Talvez até ignorasse a presença dele em sua casa, fechado como estava em seu bem-estar, fato que não lhe permitia perceber problemas alheios, como, muitas vezes, dizem: “Cada um por si e Deus por todos”.
Jesus quer chamar a atenção não para a necessidade de amarmos ao próximo, mas para a importância das situações. Uma situação de poder e prazeres pode insensibilizar a mente, tornando-a insensível às necessidades dos outros. Pode fechar a porta do céu, tirando a fome da vida eterna, se já se julga satisfeito com seus bens. Ao contrário, uma situação de penúria entretém a fome e a sede de algo maior: a vida eterna.
A riqueza honesta não é má nem condenável, assim como a pobreza não é garantia de salvação. Mas ambas suscitam atitudes éticas que podem facilitar ou dificultar a procura de Deus. É para isso que o Senhor quer despertar os cristãos nessa parábola.
A situação cômoda em que se acham os ricos pode diminuir seu zelo pelas necessidades dos pobres e excluídos da nossa sociedade.
Cristo chama os pobres, os que têm fome, sede e choram, de bem-aventurados, não por causa da pobreza como tal, mas por causa da atitude ética, da fé e do amor ao próximo que essa pobreza preserva ou suscita. E chama os ricos de infelizes (cf. Lc 6,24-26), não por causa da riqueza como tal, mas porque a riqueza pode fazer murchar a fé e o senso da vida futura.
O rico morreu sem fome física nem espiritual: nada mais espera na outra vida, satisfeito que estava em seu bem-estar. Lázaro, que teve fome física e doenças, tinha fome de uma realidade melhor do que a vida terrestre. No além, a fome material e espiritual de Lázaro era saciada, ao passo que a do rico, ela não existia.
Alguém pode ser rico e ter um coração de pobre, cultivando o desapego, a humildade, a caridade; assim como alguém pode ser pobre, mas ter um coração de rico, sem caridade nem humildade. Lázaro, pobre na terra, e Abraão, rico na terra, tiveram a mesma sorte final, porque ambos, em circunstâncias diferentes, tiveram o mesmo amor a Deus e o mesmo desprendimento dos bens terrenos.
A parábola nos lembra que o Céu e o inferno começam no nosso dia a dia. Não nos faltam os fatos, acontecimentos, coisas em cada dia, que são objetos de santificação. A fé descobre neles os sinais de Deus a respeito do sentido desta vida. Nós não vivemos de milagres, mas do dia a dia. É nele que devemos encontrar a vida de santificação. Muitos procuram sinais e milagres e dizem que se Deus se fizesse mais sensível e lhes desse um sinal seriam mais fervorosos.
Isso é pura ilusão, meu irmão, minha irmã! Quem não tem fé nos dons cotidianos de Deus, encontrará razões falsas para não reconhecer os milagres d’Ele. Abraão responde ao rico que quem não tem o hábito da fé viva, rejeitará mesmo os sinais mais significativos. Na verdade, Lázaro, irmão de Marta e Maria, e o próprio Jesus haviam de ressuscitar dentre os mortos e aparecer aos judeus, mas nem assim estes se deixaram convencer.
Abraão diz existir entre o Céu e o inferno um grande abismo. E este indica que é só na vida terrestre que podemos nos converter. O tempo da conversão é hoje e agora. A morte nos estabelece em nossa condição definitiva: ou o Céu para sempre ou o inferno para sempre.
Essa parábola nos leva a concluir que, quando eu e você deixarmos este mundo, receberemos uma sentença. Veja que Lázaro foi levado ao “seio de Abraão” e o rico aos tormentos do inferno. Isso pressupõe uma sentença de Deus logo após a nossa morte. E ela é definitiva, pois o mau não pode passar para o lugar do justo; nem vice-versa. Eu já fiz a minha opção: quero ir para o seio de Abraão! E você? Para onde quer ir?
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Blog do Padre Bantu
--------------------------------------------------------------------------------------------
Evangelho (Mateus 20, 17-28)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 17enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes: 18“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte, 19e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará”.
20A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21Jesus perguntou: “Que queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. 22Jesus, então, respondeu-lhes: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”.
24Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, chamou-os, e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Reflexão
Humildade, nosso 'passaporte' para o céu
esus anuncia a Sua morte como consequência de toda a Sua vida. Enquanto isso, Tiago e João sonham com poder e honrarias, suscitando discórdia e competição entre os outros discípulos, Cristo mostra que a única coisa importante para o discípulo é seguir o exemplo d’Ele: servir e não ser servido. Na nova sociedade que Jesus projeta, a autoridade não é exercício de poder, mas a qualificação para serviço, que se exprime na entrega de si mesmo para os outros e o bem comum.
Apesar do testemunho de Jesus Cristo, os discípulos estavam atrelados aos esquemas mundanos, mostrando-se pouco sensíveis aos ensinamentos do Mestre. O pedido dos filhos de Zebedeu foi uma prova disso.
Fazendo ouvido de mercador, quando Jesus revelou Seu destino de sofrimento e morte, estavam preocupados em garantir para si os melhores lugares no Reino a ser instaurado. Bem se vê que estavam longe de estar sintonizados com o Reino anunciado por Cristo, pois imaginavam um reino no qual os chefes se tornam tiranos e os grandes se tornam opressores, por estarem revestidos de autoridade.
No Reino almejado por Jesus Nazareno, a grandeza consiste em pôr-se a serviço do semelhante, de maneira despretensiosa, e o primeiro lugar será ocupado por quem se dispusera a assumir a condição de servo. A tirania cede lugar ao serviço, e a opressão transforma-se em amor eficaz em benefício do próximo. Bastava contemplar o modo de proceder do Mestre Jesus, que se autodenomina “Filho do Homem”. Jamais buscara ser servido, como se a Sua condição de enviado do Pai lhe desse este direito; tampouco teve a arrogância de se considerar superior a quem quer que seja. Manteve sempre a postura de servo, consciente da missão recebida do Pai, a ponto de entregar a própria vida para que toda a humanidade obtivesse salvação. Dera o exemplo no qual os discípulos deveriam inspirar-se.
Para Jesus, a autoridade e o primeiro lugar no Reino estão intimamente associados à capacidade de servir: “O maior de vocês deve ser aquele que serve” (Mt 23,11). Esta atitude fundamental do discípulo e da discípula configurará o quadro de carismas e ministérios, com a responsabilidade de atuar no mundo para transformar as realidades à luz da Palavra de Deus. Daí, algumas intuições que podem contribuir para compreender e assumir a missão da Igreja na ótica do serviço à organização e libertação de todo o povo de Deus.
Assim, eu e você somente respondemos fielmente à nossa vocação de servir, quando nos tornamos mulheres e homens em profunda sintonia e comunhão com o Deus da Vida, sem esquecer nem deixar à margem, na luta de cada dia, os pobres e excluídos (cf. At 6,1), que precisam e, por isso, devem ser servidos. Quantas vezes nos aproximamos de Jesus, e, sem discernimento, pedimos coisas que não têm sentido? Quantas coisas desnecessárias, e que julgamos ser essenciais, pedimos quando oramos? Por isso que, a todo instante, se faz necessário pedir auxílio ao Espírito Santo, para que Ele nos ensine a rezar. Até mesmo para orar necessitamos do auxílio e da misericórdia do Pai. Outro ponto forte desta passagem bíblica é o ensinamento de humildade que Jesus vem nos trazer.
Hoje, infelizmente, o mundo nos ensina que devemos sempre estar à frente, ser os melhores, ter o melhor emprego, receber o mais alto salário, enfim, devemos ter, ter e ter… Em meio a isso, devemos agir de forma contrária. Jesus nos chama a sermos os menores, a não contarmos vantagem do que temos ou de quem somos, porém, devemos agir de forma humilde, sempre procurando mais servir do que ser servido, amar mais do que ser amado, perdoar mais do que ser perdoado. Peçamos que o Senhor nos dê um coração manso e humilde. Que no dia de hoje passemos a valorizar as coisas do alto e não as coisas terrenas. Nossa meta é o céu. Fomos feitos para ser cidadãos do céu e o “passaporte” para lá é o amor e a humildade, por isso, humildemente e dobrados, devemos servir aos nossos irmãos e irmãs. Quem ama serve. E quem serve se faz pequeno diante dos homens e se torna grande diante do Senhor.
Que nosso coração possa se abrir mais e mais para amar a Deus no próximo. Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao Vosso! Pai, transforma-me em servidor de meus semelhantes, fazendo-me sempre pronto a doar minha vida para que o Teu amor chegue até eles.
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Blog do Padre Bantu
------------------------------------------------------------------------------------------
Evangelho (Mateus 23, 1-12)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos e lhes disse: 2“Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.
5Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas.
6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. 8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. 9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Reflexão
Deus humilha os que se exaltam e exalta os que se humilham
O Evangelho de Mateus apresenta, no capítulo 23, de maneira contundente, as últimas críticas de Jesus aos escribas e fariseus. No trecho de hoje, o evangelista conta uma história curiosa. Trata-se da crítica de Jesus ao poder reinante do espírito do mundo. Ele começou a pregar completamente diferente do que se vivia. Não estava preocupado com o poder político dominante. Uma única vez que tentaram colocá-Lo à prova numa difícil situação política, Ele respondeu: “Hipócritas! (…) Pois dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus“. É um ensinamento para todos, mas também uma advertência àqueles que detêm o poder neste mundo.
Cristo fala em cátedra de Moisés, a doutrina tradicional que receberam de Moisés, chamada Lei Mosaica, contida na Torá, que ainda trazia o que falaram os profetas, Abraão e outros grandes patriarcas. Dominados pelos romanos, os judeus, sem muita alternativa, tomaram uma posição de fazer valer aquelas tradições. Mas, ao longo do tempo, a elas foram acrescentadas interpretações pessoais, com tantas coisas impostas, de tal forma que eles mesmos não podiam cumprir. Aqueles mestres faziam questão de assim serem chamados. Isso fazia com que se sentissem mais poderosos. Aqueles que não os chamavam de “mestres” estavam perdidos.
Meu irmão, esta crítica é também para nós, pois em nossos dias vemos muitas vezes padres novos, catequistas e líderes meio tímidos e à medida que a comunidade coloca muitas coisas à sua disposição, bajulando-os demasiadamente, muitos vão se tornando poderosos, transferindo para dentro da Igreja aquele espírito pomposo, que impõe obrigações e sacrifícios aos outros e aos paroquianos, como quase condição para que os tenham. Se suas atividades deveriam ser levadas pelo Espírito de Deus, trata-se de uma pessoa espiritualizada que revela um demasiado zelo. Percebe-se, porém, cerimônias realizadas e quando se faz pelo espírito da vaidade e da soberba, somente para aparecer.
Jesus observou isso muito bem. Ele sabia que naquela sinagoga acontecia a mesma coisa. E alertou os apóstolos dizendo-lhes que eles deveriam entender a Lei e cumpri-la, mas não imitarem aqueles homens, “pois dizem o que não fazem”; impondo-lhes coisas que eles mesmos não cumpriam, fardos que não carregavam, porque não aguentavam. Isso é hipocrisia. E termina dizendo uma coisa desconcertante, para a época, ao olhar dos judeus. Os mestres das sinagogas ensinavam: Se eu tenho este copo é porque tenho a graça de Deus. Se o tenho cheio d’água é porque estou repleto da graça de Deus. Se tenho o copo, água e posso bebê-la, estou plenamente na graça de Deus.
Eles faziam uma divisão. Queriam convencer as pessoas de que estavam bem, eram ricos, cheios de franjas e frases da Torá na testa e nas roupas, finas por sinal, porque estavam cheios da graça de Deus. Aqueles que não pudessem fazer isso, é porque não tinham a graça de Deus. Esta era a mentalidade da época.
Jesus vem com uma proposta contrária a tudo isso: “Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado“. Hoje, entendemos essa máxima do Evangelho, mas naquela época isso foi de difícil compreensão: ter de se humilhar para ser exaltado? Se somos pobres diante dos homens, seremos ricos diante de Deus. Essa pobreza é um dom de Deus.
Senhor, ensina-me a ser humilde, quebre a minha vaidade, orgulho e soberba, para que eu possa entender a máxima: Deus humilha os que se exaltam e exalta os que se humilham.
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Blog do Padre Bantu
----------------------------------------------------------------------------------------------
Evangelho (Mateus 5, 20-26)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20“Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus.
21Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. 22Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: ‘Patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de ‘tolo’ será condenado ao fogo do inferno.
23Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta.
25Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor
Reflexão
A reverência a Deus passa pelo respeito ao próximo
Segundo o evangelista Mateus, é importante que o homem tenha a consciência de que “a ira do homem não realiza a justiça de Deus” (Tg 1, 20) e de que pela prática da justiça, oriunda de Deus, a sua vida é restaurada sobre a terra. E isso é tão fundamental que se torna imprescindível na vida existencial do homem e extensivo a todas outras práticas no seu dia a dia para tornar possível a convivência dos homens entre si e entre o meio ambiente.
“Ouvistes o que foi dito”, “Eu, porém, vos digo”, Jesus não pretende reformar o complexo doutrinal do Judaísmo. O Senhor veio nos ensinar a viver em plenitude a Lei de Deus e nos adverte de que a nossa justiça deve ser maior do que a dos mestres da Lei e dos fariseus. Eles viviam na rigidez da Lei e se esqueciam de que o maior mandamento da Lei era justamente o amor e que, mais importante que a Lei em si, é o bom relacionamento entre as pessoas. Muitas vezes, nós também, como os escribas e os fariseus, nos apegamos ao que a Lei nos exorta a não fazer e ficamos alerta para não cometer aquelas faltas que se constituem as mais graves, como matar, roubar, adulterar, ter maus pensamentos, entre outros. “Todo aquele que se encoleriza com o seu irmão será réu de juízo”.
O desejo primeiro de Deus, ao criar os seres humanos, é que vivam na mais perfeita comunhão, deixando de lado tudo quanto possa dividi-los e separá-los pelo muro da inimizade. O ódio e a divisão constituem flagrante desrespeito à vontade divina.
O homicídio é uma forma incontestável de ruptura com o próximo, culminando na sua eliminação. Para evitar isso, Deus condenou peremptoriamente esse crime, com o mandamento: “Não matarás”. A eliminação física do próximo é antecedida por outros gestos de eliminação de igual gravidade. Por exemplo, a simples irritação contra os outros, as palavras ofensivas contra eles são formas sutis de atentar contra a vida alheia. O discípulo do Reino de Deus não pode agir dessa maneira.
A Palavra de Deus, que Jesus veio esclarecer para nós, vai muito mais além do que as coisas que nós praticamos, mas atinge também ao que nós pensamos e falamos ou expressamos a partir do nosso coração. Assim sendo, nós não podemos chamar os nossos irmãos e irmãs nem mesmo de “tolos” ou “idiotas”. Quanto ensinamento para nós! A oferta que fazemos ao Senhor será desnecessária se primeiro não oferecermos a nossa compreensão e perdão às pessoas com as quais nos relacionamos. Enquanto caminhamos, aproveitemos o conselho do Mestre para que a nossa justiça seja maior do que a justiça dos “mestres da Lei” e dos “fariseus” de hoje.
Como é a nossa justiça? O que é justo para Deus? A justiça de Deus é o amor, é o perdão, é a reconciliação. E a nossa? Fazemos as nossas ofertas no altar do Senhor, mas como está o nosso coração? Reflita agora: – Como você trata as pessoas com quem você convive? – Você tem costume de falar mal dos seus amigos e suas amigas? – Você o faz de coração? – E quando você faz a sua oferta na hora do ofertório, qual é a sua atitude diante de Jesus?- Você já pensou que – enquanto você faz a oferta do seu coração na hora da Missa, – este [coração] pode estar sujo com a injustiça da falta de perdão, da ofensa feita, do ódio por alguém?
A reverência a Deus passa pelo respeito ao próximo. Na liturgia de hoje, Jesus exige de mim e de você, como de Seus discípulos, a reconciliação com nosso próximo antes de fazermos nossa oferenda ao Senhor. Se alguém está para fazer sua oferta, e se recorda de algum desentendimento com o próximo, deve deixá-la ao pé do altar, para antes ir reconciliar-se com ele. Caso contrário, a oferta não terá valor perante Deus.
Cristo nos revela que qualquer doutrina ou lei só tem valor à medida que contribua para a libertação e a promoção da vida. Jesus não propõe uma doutrina, mas ensina a prática restauradora da vida. A grande novidade que o Senhor nos ensina hoje é o perdão sem limites e a reconciliação, que nos levam à comunhão de vida com Deus e com nossos irmãos.
Por isso, quero, neste dia, ó Senhor Jesus, que me ensineis a perdoar os meus irmãos e irmãs para poder estar em comunhão com meu Deus e com meus irmãos já aqui na terra.
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Blog do Padre Bantu
-----------------------------------------------------------------------------------
Evangelho (Mateus 7, 7-12)
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! 8Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate a porta será aberta.
9Quem de vós dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? 10Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe? 11Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta! 8Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate a porta será aberta.
9Quem de vós dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? 10Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe? 11Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem! 12Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Reflexão
Precisamos respeitar o tempo de Deus
Muitas vezes lemos ou escutamos este texto do Evangelho de hoje. Por ser repetido, várias vezes corremos o risco de não prestar atenção nele. Mas hoje Deus nos convida a olharmos com calma para este trecho e nos suscita uma pergunta. Jesus nos manda rezar e pedir: “Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão-de abrir-vos”. Todavia, como têm sido as nossas orações, ou seja, com que intensidade temos rezado?
Poderíamos parar e ficar somente neste trecho para saborear a sua riqueza e a certeza de que as nossas dúvidas se desvanecem, os nossos medos se dissipam diante da certeza de que Mateus se faz eco, colocando tais palavras na boca de Jesus. Ao continuarmos a leitura, veremos que Cristo reforça mais ainda essa certeza de que “quem pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, hão de abrir”.
Na sociedade de consumo em que vivemos, todos agem por interesse. Vive-se o ditado: “Hoje em dia já ninguém dá nada a ninguém…” e nós vamos “embarcando” nessa ideia – talvez incrementada na sociedade pouco afetiva dos nossos dias – sem olhar para tantos momentos em que Deus afinal ali está. Sim, Ele ali está e nos escuta e faz com que nos encontremos com Ele, com nós mesmos e com os outros, abrindo-nos a porta sem que nos demos conta de que isso acontece. E teimamos em duvidar disso, em nos esquecer d’Ele, das Suas ações em favor dos homens, em nosso favor.
O Evangelho continua a exercer sobre mim uma reflexão enorme porque vai buscar o valor do amor da família, ainda que tantas vezes humanamente as nossas ações sejam de pessoas más, mas que no meio do seu ser “mau” não pode dar coisas más aos que ama: “Qual de vós, se o seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Ora bem, se vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está no Céu dará coisas boas àqueles que lhas pedirem.”
Em nossos dias assistimos muitas vezes episódios de uma criança que vai pedir dinheiro à mãe para comprar, por exemplo, uma guloseima e recebe como resposta um simples: “Você sabe que a mãe não tem dinheiro…” e a tristeza instala-se na voz da tal criança.
O querer e o ter nem sempre dependem das nossas capacidades humanas. E continuamos a pedir ao Pai e nem sempre entendemos, ou nem sempre entendo eu, porque parece que o Senhor não olha pelos que mais precisam, pelos que querem trabalhar com dignidade, pelas crianças e velhinhos que precisam receber toda a atenção e todo o carinho. E pedimos, batemos à porta de Deus, procuramos soluções para tantas necessidades. E Deus Pai escuta, pode não responder logo, mas, sem dúvida, que o Evangelho de hoje volta a recordar em mim a certeza de que, a Seu tempo, Ele nos escuta. Pode não ser no nosso tempo ou no que nós gostaríamos. Mas, sim, indubitavelmente Ele nos escuta, encontra-nos e abre portas.
O final do Evangelho levou-me então a uma reflexão que nunca tinha feito. Nós pedimos a Deus, esperamos de Deus, mas será que Ele nem sempre nos ouve porque nós não somos capazes de ser sinal da Sua presença? Será que eu mesmo nem sempre sou capaz de viver o grande desafio que Cristo lança de imediato ao dizer que “portanto, o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas”, será isso que falha à minha humanidade, à minha sociedade, à minha eclesialidade? Fazer aos outros o mesmo que queremos que nos façam. Estará aqui a questão central das nossas incertezas, tristezas, dúvidas e tentações em duvidar de Deus? Posso partilhar que muitas vezes ao ouvir ou ler este Evangelho me questionava: “Mas tá. Tudo bem? É pedir e receber? Parece tão simples, tão fácil! Mas quantas coisas que pedimos e não recebemos?”
Refletindo com mais calma sobre o trecho bíblico “caiu a ficha” que em nenhum momento Jesus disse quando será dado, quando será achado, quando a porta será aberta. Ele apenas diz: “Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta”. A nossa mentalidade é que já está programada para pensar que o tempo entre pedir e receber tem de ser curto, “para ontem”. Como quase tudo na sociedade moderna tem que ser “para ontem”, tem que ser em alta velocidade, tem que apresentar resultado rápido.
Mas precisamos lembrar que o tempo é criatura de Deus, que Deus é o Senhor do tempo, e Sua ação em nossas vidas não precisa respeitar a cronologia humana. Pelo contrário, nossa cronologia é que precisa respeitar, mesmo muitas vezes sem compreender, o “tempo de Deus”. A nós cabe simplesmente o pedir. E o nosso “pedir”, o “procurar” e o “bater” precisam ser constantes, de cristãos que entendem que é a vontade de Deus e não a nossa, que também é o tempo de Deus e não o nosso.
Pai, dá-me um coração grande, capaz de demonstrar um amor imenso ao meu semelhante, na total gratuidade, sem interpor restrições e, sobretudo, respeitar o Teu tempo. Que não se façam as coisas como quero, e sim, como Tu queres e na hora em queres, ó meu Deus.
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Blog do Padre Bantu
---------------------------------------------------------------------------------------- Precisamos respeitar o tempo de Deus
Muitas vezes lemos ou escutamos este texto do Evangelho de hoje. Por ser repetido, várias vezes corremos o risco de não prestar atenção nele. Mas hoje Deus nos convida a olharmos com calma para este trecho e nos suscita uma pergunta. Jesus nos manda rezar e pedir: “Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão-de abrir-vos”. Todavia, como têm sido as nossas orações, ou seja, com que intensidade temos rezado?
Poderíamos parar e ficar somente neste trecho para saborear a sua riqueza e a certeza de que as nossas dúvidas se desvanecem, os nossos medos se dissipam diante da certeza de que Mateus se faz eco, colocando tais palavras na boca de Jesus. Ao continuarmos a leitura, veremos que Cristo reforça mais ainda essa certeza de que “quem pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, hão de abrir”.
Na sociedade de consumo em que vivemos, todos agem por interesse. Vive-se o ditado: “Hoje em dia já ninguém dá nada a ninguém…” e nós vamos “embarcando” nessa ideia – talvez incrementada na sociedade pouco afetiva dos nossos dias – sem olhar para tantos momentos em que Deus afinal ali está. Sim, Ele ali está e nos escuta e faz com que nos encontremos com Ele, com nós mesmos e com os outros, abrindo-nos a porta sem que nos demos conta de que isso acontece. E teimamos em duvidar disso, em nos esquecer d’Ele, das Suas ações em favor dos homens, em nosso favor.
O Evangelho continua a exercer sobre mim uma reflexão enorme porque vai buscar o valor do amor da família, ainda que tantas vezes humanamente as nossas ações sejam de pessoas más, mas que no meio do seu ser “mau” não pode dar coisas más aos que ama: “Qual de vós, se o seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Ora bem, se vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está no Céu dará coisas boas àqueles que lhas pedirem.”
Em nossos dias assistimos muitas vezes episódios de uma criança que vai pedir dinheiro à mãe para comprar, por exemplo, uma guloseima e recebe como resposta um simples: “Você sabe que a mãe não tem dinheiro…” e a tristeza instala-se na voz da tal criança.
O querer e o ter nem sempre dependem das nossas capacidades humanas. E continuamos a pedir ao Pai e nem sempre entendemos, ou nem sempre entendo eu, porque parece que o Senhor não olha pelos que mais precisam, pelos que querem trabalhar com dignidade, pelas crianças e velhinhos que precisam receber toda a atenção e todo o carinho. E pedimos, batemos à porta de Deus, procuramos soluções para tantas necessidades. E Deus Pai escuta, pode não responder logo, mas, sem dúvida, que o Evangelho de hoje volta a recordar em mim a certeza de que, a Seu tempo, Ele nos escuta. Pode não ser no nosso tempo ou no que nós gostaríamos. Mas, sim, indubitavelmente Ele nos escuta, encontra-nos e abre portas.
O final do Evangelho levou-me então a uma reflexão que nunca tinha feito. Nós pedimos a Deus, esperamos de Deus, mas será que Ele nem sempre nos ouve porque nós não somos capazes de ser sinal da Sua presença? Será que eu mesmo nem sempre sou capaz de viver o grande desafio que Cristo lança de imediato ao dizer que “portanto, o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas”, será isso que falha à minha humanidade, à minha sociedade, à minha eclesialidade? Fazer aos outros o mesmo que queremos que nos façam. Estará aqui a questão central das nossas incertezas, tristezas, dúvidas e tentações em duvidar de Deus? Posso partilhar que muitas vezes ao ouvir ou ler este Evangelho me questionava: “Mas tá. Tudo bem? É pedir e receber? Parece tão simples, tão fácil! Mas quantas coisas que pedimos e não recebemos?”
Refletindo com mais calma sobre o trecho bíblico “caiu a ficha” que em nenhum momento Jesus disse quando será dado, quando será achado, quando a porta será aberta. Ele apenas diz: “Pedi e vos será dado! Procurai e achareis! Batei e a porta vos será aberta”. A nossa mentalidade é que já está programada para pensar que o tempo entre pedir e receber tem de ser curto, “para ontem”. Como quase tudo na sociedade moderna tem que ser “para ontem”, tem que ser em alta velocidade, tem que apresentar resultado rápido.
Mas precisamos lembrar que o tempo é criatura de Deus, que Deus é o Senhor do tempo, e Sua ação em nossas vidas não precisa respeitar a cronologia humana. Pelo contrário, nossa cronologia é que precisa respeitar, mesmo muitas vezes sem compreender, o “tempo de Deus”. A nós cabe simplesmente o pedir. E o nosso “pedir”, o “procurar” e o “bater” precisam ser constantes, de cristãos que entendem que é a vontade de Deus e não a nossa, que também é o tempo de Deus e não o nosso.
Pai, dá-me um coração grande, capaz de demonstrar um amor imenso ao meu semelhante, na total gratuidade, sem interpor restrições e, sobretudo, respeitar o Teu tempo. Que não se façam as coisas como quero, e sim, como Tu queres e na hora em queres, ó meu Deus.
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Blog do Padre Bantu
Evangelho (Lucas 11,29-32)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, 29quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas.
30Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. 31No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará juntamente com os homens desta geração, e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior que Salomão.
32No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Reflexão
A oração mais perfeita e completa que temos é o Pai-Nosso
A oração mais perfeita e completa que temos é o PAI-NOSSO. Muitos dos nossos irmãos evangélicos criticam nosso rezar, porque dizem que se trata de palavras repetidas, não são espontâneas, mas eu digo a você, meu irmão, minha irmã, se você souber entender a oração que Cristo nos deixou, se refletir em cada palavra, e se principalmente viver estas “palavras repetidas”, não precisará de mais nenhuma oração. Porque aqui nós encontramos tudo o que precisamos para ser santos.
Pai nosso que estás no Céu, santificado seja o vosso nome. Você já reparou que Jesus não disse “meu Pai”? Deus é Pai de todos nós, e temos de ter uma consciência comunitária nas nossas orações. Que está no céu, em toda parte, inclusive aqui, agora. Santificado seja o vosso nome significa que não só o nome, mas a realidade divina em Três Pessoas seja adorada, glorificada, conhecida e acreditada no mundo inteiro. Para que isso aconteça, precisamos fazer a nossa parte de anunciadores da mensagem de Jesus Cristo.
Não temos mais reis hoje em dia. Importante é explicar aos nossos filhos e aos meninos e meninas do catecismo, o que isso significa: “Venha a nós o governo de Deus.” Ou seja, que todos permitam que Deus governe as suas vidas. Todos, porque não devemos rezar como se só existisse a nossa pessoa no universo. O Pai Nosso está no plural, como toda oração pronunciada por nós deve ser não somente para nós, mas para todos.
Que seja feita a vontade do Pai, ou de Deus, e não a nossa vontade, não a vontade de satanás, não a vontade do assaltante, não a vontade egoísta daqueles que pretendem prejudicar-nos, não a vontade daqueles que querem nos afastar do caminho, da verdade e da vida.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje. E amanhã? Eu não vou comer? Amanhã nós vamos rezar, agradecer e pedir de novo. Esse é o procedimento, porque Deus nos aconselha a não nos preocuparmos com o dia de amanhã. Por isso vamos pedir o pão somente para hoje. Pão, aqui, não significa somente o pão da padaria, mas sim a comida, a saúde para trabalhar, o estudo que nos prepara para ganhar dinheiro para comprar pão, o emprego que anda tão difícil hoje em dia, entre outros.
Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam. Já sei. Você brigou com o seu vizinho que estava sendo injusto com você e sua família perturbando o seu sossego com barulhos fora de hora, e está se achando tão culpado que não pode nem comungar na próxima Santa Missa. Quando somos lesados, injustiçados, precisamos recorrer aos nossos direitos. Porque se todo cristão ficar bonzinho sem reclamar de nenhum abuso dos outros, todos vão se aproveitar de nós, fazendo-nos de bobos. No entanto, depois da tempestade vem sempre a calmaria, a paz. Fiquemos atentos porque Jesus sempre nos conduz a fazermos as pazes.
Você pode comungar se tiver o propósito de fazer de tudo futuramente para se reconciliar com o seu vizinho. Hoje está difícil, depois de tanta injustiça por parte dele e de tanta troca de verdades de um lado e do outro. Para ficar de bem, pedir desculpas nem sempre se encaixa bem. Fará o mesmo efeito, uma brincadeira, umas piadinhas, de cá e, também, de lá. Deixe passar a raiva e, então, comece a se abrir para a reconciliação com seu irmão.
E não nos deixeis cair em tentação, porque são muitas as tentações, aos milhares que nos cercam no nosso dia a dia, tentando tirar-nos a paz e a amizade com Deus.
Mas livrai-nos do mal. São tantos os males desta vida: Assaltos, roubos, acidentes, tentações, entre outros.
Aqui temos a liberdade de chamar nosso Criador de PAI, e não somente “meu Pai”, mas, NOSSO, o que nos leva à unidade com todos os irmãos espalhados pelo mundo que também oram o PAI-NOSSO. Damos ao nome de Deus, o devido respeito (Santificado seja Teu nome) e pedimos que Seu Reino esteja entre nós. Entregamos nossa vida, quando pedimos que seja feita a vontade d’Ele. No meio da oração, no centro, mais uma vez, tratamos Deus como Pai, afinal quem é o responsável pelo nosso sustento, nosso pão de cada dia, senão o Pai? Mostramo-nos arrependidos quando pedimos perdão pelos nossos pecados. E assumimos nossas fraquezas, quando solicitamos a proteção, o livramento daqueles males que não podemos controlar.
Entretanto, me pergunto: será que vivemos em unidade com nossos irmãos? Será que verdadeiramente tratamos o nome de Deus com o devido respeito? E aceitar a vontade d’Ele em nossa vida é fácil? Perdoamos nossos irmãos à medida que desejamos ser perdoados? E será que muitas vezes não facilitamos o mal de entrar em nossas vidas?
Pai, livra-me de reduzir às palavras vazias a oração que Jesus nos ensinou. Que eu saiba encontrar o sentido do Pai-nosso, centrando minha vida na filiação divina e na fraternidade. Amém!
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Blog do Padre Bantu
---------------------------------------------------------------------------------
Evangelho (Mateus 6, 7-15)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
7“Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras.
8Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. 9Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. 11O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. 13E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.
14De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes”.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Reflexão
Qual segredo que Jesus revela para todos nós?
Ao dizer chave da vida, quero me referir o grande segredo que Jesus revela para todos nós: O amor! No fundo Jesus revela uma verdade profunda, que quando o homem terminar sua jornada na terra e apresentar-se diante de Deus uma única coisa terá valor para Deus: o amor que ele dedicou ao seu irmão. Qualquer religião que não conduza a este amor é falsa e não tem nenhum valor diante de Deus. E aqueles que não são cristãos? E os que praticam outra religião? E os ateus? Estarão perdidos? A parábola fala de reunir os homens todas as nações, portanto todas as raças, culturas e mesmo religiões diferentes estarão diante de Jesus. O texto, como boa notícia diz nos que não! Todavia, aponta algo sem o qual ninguém vai ao céu.
Aquele que faz o bem ao irmão, mesmo sem reconhecer nele Jesus, mesmo sem aderir a comunidade cristã receberá a recompensa. Já os Santos Padres falavam das “Sementes do Verbo” que são as sementes da Palavra de Deus espalhadas na criação e nos homens que buscam de coração a verdade e o bem. São os cristãos implícitos, pois pelo seu comportamento de justiça, busca do bem comum e amor aos irmãos aderem ao essencial da mensagem de Jesus. E, portanto irão para a festa do Reino! O critério do exame final não será a ortodoxia de doutrina, mas a prática do amor fraterno. Já dizia São João da Cruz: “No entardecer da vida seremos examinados sobre o amor”. É o amor a todo ser humano, e quanto mais necessitado mais ele é nosso próximo!
Assim a chave para não perder a vida é o amor ao irmão! Não adianta só dizer “Senhor, Senhor” (Mt 7,21), mas é preciso amar concretamente. Jesus já dizia que o sinal que distingue seu discípulo é justamente o amor fraterno (Jo 13, 35). Seremos julgados conforme nossa aceitação a Cristo, que não vemos, mas que se identifica com os irmãos mais pequenos (1 Jo 4,20). O próximo é o vídeo onde verificamos nossa conduta, e a solidariedade aos que sofrem o termômetro de nossa vida cristã. Não é à toa que nossa liturgia de Cristo Rei, no ano C, coloca o Evangelho da Paixão neste dia (Lc 23,35-43). A mensagem é a mesma, Jesus Reina pelo amor! Jesus Reina do alto da cruz pela entrega de sua vida para gerar vida plena aos irmãos. É o pastor que dá a vida. É o pastor que cuida de modo especial das ovelhas doentes e mais débeis do rebanho.
Na sua entrega dolorosa, podemos experimentar o quanto o Senhor ama a cada um de nós. Ama e nos pede que amemo-nos como ele amou. Amar na prática do dia a dia deve ser o nosso valor maior. Mas não basta para nós uma ação caritativa apenas assistencialista. Há ocasiões que temos apenas que dar de comer, são situações extremas. Mas a caridade irá mais longe, na promoção da pessoa, na busca de uma melhor educação, na possibilidade de trabalho, e na transformação das estruturas sociais que diminuem o ser humano. Vivemos em sociedade, e todas as nossas ações, têm sempre repercussões sociais, por isto temos que investir nosso trabalho na área da verdadeira política. Não se trata de fazer política partidária, mas de amor ao bem comum. Ainda vale lembrar, mais uma vez, que Deus é justo não porque castiga e condena, mas por que é capaz de transformar as pessoas más em justas! E quem são as ovelhas e os cabritos? Os bons e os maus? Sem dúvida todos nós ás vezes nos comportamos como ovelhas e outras vezes como cabritos! Todos precisamos de uma continua conversão! Que esta Quaresma não seja mais uma e sim, o tempo e a hora de nos voltarmos completamente para Deus na prática do amor!
Padre Bantu Mendonça
Fonte: Blog do Padre Bantu







Nenhum comentário:
Postar um comentário