quinta-feira, 17 de março de 2011

Radical Livre



Nem se assuste. Não é de química que vou falar. Não tenho como dar uma de professor versado nos mais variados reagentes e naquelas fórmulas sem fim. Falo de outro radical e de outra liberdade.


Olhando superficialmente, diríamos que vivemos na era radical. É radical o esporte, são radicais os carros, as vestimentas, as posturas, os comportamentos e escolhas. É radical até aquela “coisa” genérica e indefinida que leva os jovens à expressão: “Radical, meu!”

Um olhar mais atento verá que esta radicalidade, escondida no perigo dos esportes, na esquisitice dos carros e vestimentas, no inusitado das posturas e comportamentos, no extremismo das escolhas é, no fundo, uma busca desesperada pela verdade.

Além de fuga e ilusão, nesta radicalidade, há de tudo, menos liberdade. Nela vê-se um homem centrado em si mesmo, em posturas de aparente coragem de enfrentar qualquer desafio e, no fundo de si mesmo, um mal disfarçado medo de encarar a realidade do vazio interior.

Nada contra esta postura radical. No entanto, tudo seria muito diferente - radicalmente diferente – se resolvêssemos encarar um outro tipo de radicalidade para encontrar um outro tipo de liberdade – a única que pode ter este nome. Refiro-me à corajosa e livre radicalidade libertadora e vivencial do Evangelho. Perdoem-me os professores de português pelo excesso de adjetivos, mas o que quero dizer é isso mesmo: a corajosa e livre radicalidade libertadora e vivencial do Evangelho.

Comecemos com o “corajosa”. Esta radicalidade requer coragem. E, se você quer saber, creio que a coragem de viver a radicalidade do Evangelho será uma virtude cada dia mais necessária para nós, católicos. Basta dar uma olhada no que aconteceu no Brasil nos últimos tempos com relação à moral e à fé:

1. aprovação da utilização de embriões congelados (porém vivos!) para que sejam mortos em pesquisas, como aqueles ratinhos ou sapinhos de laboratório dos quais tantos ecologistas radicais costumam ter pena, em favor dos quais tantos naturalistas lutam;

2. aprovação por esmagadora maioria (só 3 foram contra!) do aborto de fetos anencéfalos por parte do Conselho do Ministério da Saúde;

3. aprovação da não necessidade da mulher apresentar-se no hospital munida de boletim de ocorrência que comprove o estupro para fazer o aborto. Agora basta que ela declare que foi estuprada e o médico é obrigado por lei a proceder ao assassinato da criança. Simples assim.

Basta olhar estes fatos, considerados “progresso” para logo ver que todos os que quiserem viver a radicalidade do Evangelho (aliás, tem como viver o Evangelho sem ser com radicalidade?) vão precisar de muita, muita coragem. Embora nem todas estas medidas estejam definitivamente aprovadas, a coisa tende a ficar cada vez mais preta para quem ama a verdade e o próximo, para quem ama a Deus e à vida. Haja coragem!

Vamos ao “livre” da corajosa e livre radicalidade libertadora e vivencial do Evangelho. Ou esta radicalidade é livre, ou não é radicalidade. Isso é: ou você abraça o Evangelho e o vive em sua radicalidade como fruto de uma experiência pessoal com Jesus Cristo Vivo, isto é, ou você a abraça como prova de amor e livre entrega de gratidão a Ele, ou não tem jeito. Argumentos humanos não vão convencê-lo de entregar-se livremente à radicalidade evangélica. Nos esportes radicais, há vários argumentos humanos e pressões sociais que levam a pessoa a arriscar a vida em saltos sem pára-quedas ou a despencar em um abismo amarrado por um cabo de aço. Na radicalidade do Evangelho, a liberdade vem do amor de Deus experimentado e do amor a Deus ofertado. É uma opção livre e corajosa pelo tudo.

Tudo! Eis a palavra chave da radicalidade. “Quero tudo!” disse Santa Teresinha. Quem ama a Deus de verdade, também quer tudo, aceita tudo, acolhe tudo, contanto que seja feita a vontade de Deus em sua vida e na vida de todos os homens e da criação inteira, que “sofre e geme em dores de parto aguardando a manifestação dos filhos de Deus”, como diz São Paulo.

Radicalidade é tudo querer, tudo acolher, tudo viver, sem meias palavras, sem panos mornos, sem disfarces de argumentos humanos, sem “mas”, sem “porém, no meu caso”, sem mentiras, sem disfarces, sem mornidão, sem relativismos. Ou é, ou não é. O sim tem que ser sim. O não tem que ser não. E pronto.

E a caridade? Não seria falta de caridade as coisas serem assim tão... radicais? A caridade é a verdade. O Evangelho também. Simples assim.

É exatamente por ser a verdade que o Evangelho é libertador. A verdade liberta. No entanto, precisa ser, antes, conhecida como verdade, como ela é, sem nuances nem disfarces. Jesus é claro quanto a isso. Disse: “Conhecereis a verdade” para completar, em seguida: “e a verdade vos libertará”. O mundo dissemina suas mentiras contrárias ao Evangelho por todos os meios possíveis: a mídia, a arte, a legislação, os lobbies, associações e organizações, outdoors, conversas e outros recursos sem fim. Faz conhecer sua mentira e a reveste de argumentos humanos lógicos, convenientes, convincentes e de legalidade civil. Quanto aos que vivem a radicalidade do Evangelho, bem... a estes, além da coragem, do livre amor a Jesus e à Sua Palavra, além da radicalidade, têm como maior propaganda a vivência.

Por isso, a radicalidade é, também, vivencial. Para convencer, o Evangelho tem de tornar-se vida. Seria bom, maravilhoso, um sonho, termos uma mini-série sobre Madre Teresa, sobre o Santo Padre, para dar somente dois exemplos. O índice de audiência seria, creio, bastante alto. Mas não há dinheiro para isso. Nem interesse. Há uma fila de investidores e patrocinadores à espera de um minuto de merchandising na novela das oito, mas não sei se um só dentre eles estaria disposto a apoiar ou financiar uma produção sem merchandising, onde se propagasse a verdade do Evangelho.

Assim sendo, meu caro, nossa propagação da verdade parece restringir-se à vivência de cada um que ama Jesus e está livre e corajosamente disposto a dar a vida por Ele e ser considerado escória por aderir à radicalidade evangélica. Há os grupos, claro, as comunidades, as congregações, (e, escreva o que digo, cada vez mais precisaremos delas para sobrevivermos às pressões externas contra a vivência do Evangelho). Mas nossa tendência é sempre dizer: “Deixa a comunidade tal lutar por isso. Não tenho nada com esta história. Deixa a Igreja comprar esta briga”, e tirarmos o corpo fora.

Estarmos restritos à vivência leva-nos, aparentemente, a um fracasso diante do gigantismo da mídia e do avanço do anti-evangelho, como uma gotinha no oceano, certo? Errado! Erradíssimo! Há, na livre e corajosa radicalidade libertadora e vivencial do Evangelho (minha coleção de adjetivos!) uma qualidade radical: ela é libertadora! Libertadora de quem a vive, que, de tanto ser amado por Deus e de tanto querer amar em troca, vive a tranqüilidade que o mundo não consegue perturbar com facilidade.

A força libertadora da vivência radical do Evangelho, mesmo que escondida, ultrapassa toda fronteira. O poder libertador desta vivência que é fruto da ação da graça de Deus atinge, de uma forma misteriosa e divina, o mundo inteiro. A criação, que aguarda ansiosamente e a gemer como em dores de parto a manifestação dos filhos de Deus, é misteriosamente atingida pelo poder libertador da vivência da radicalidade evangélica por parte dos filhos no Filho.

Como? Não sei. Mas constato e creio. Creio no fermento que leveda toda a massa. Creio nos incontáveis e pequenos martírios do dia a dia, na negação de si mesmo e de seu próprio prazer para viver a radicalidade evangélica. Creio na força extraordinária daqueles que, unidos ao Crucificado, deixam-se crucificar nas diárias renúncias de amor, nos escárnios diante de sua defesa da verdade. Creio no poder inexplicável da solidão de quem coloca a verdade do Evangelho acima do ser bem aceito pelos outros. Creio no sangue de Cristo derramado por sua livre e corajosa radicalidade libertadora e vivencial do Evangelho.

Por Ele e nEle, o mal já foi vencido. Coragem!

segunda-feira, 14 de março de 2011

QUARESMA, tempo de conversão!

QUARESMA é um tempo especial para que isso aconteça, um  tempo bem da hora, onde Deus nos dá a chance de pararmos para pensar em como estamos vivendo  e repensar nossas atitudes com Deus e com os outros.
Algo bem prático que podemos fazer é reservar mais tempo para a oração, pode ser ao acordar, antes de dormir, a qualquer hora, o importante é conversar com Deus como se faz com um amigo bem próximo, para isso você pode usar a Bíblia para ouvir o que Deus quer falar e ir mais a fundo na vontade dEle. Outra coisa que quero te propor é o JEJUM nas sextas-feiras (dia em que Jesus morreu), aí nós vamos nos privar de uma das nossas refeições, por exemplo: você vai tomar café, vai almoçar e a noite só vai fazer um lanche leve, ou então pode substituir o almoço por um lanche e a noite jantar normalmente, o importante é não ficar beliscando o dia todo e não comer doces, chicletes, biscoitos, guloseimas. Vamos conversar mais sobre tudo isso aqui no blog pois agora quero te falar sobre a CONFISSÃO ou também chamado de Sacramento da Reconciliação. Se você já fez a 1º comunhão deve saber como fazer isso, mas vamos recordar: você vai fazer um bom exame de consciência de suas atitudes desde a última vez que você confessou, vai recordar todos os seus erros, seus pecados, pode até fazer uma listinha pra não correr o risco de esquecer, aí você vai procurar um padre e pedir a ele que te atenda em confissão, você vai contar a ele seus pecados e ele vai te absolver, ou seja, vai perdoar todos os seus pecados, em nome de Jesus, pois o sacerdote é a presença de Jesus entre nós e você não precisa ter vergonha de contar seus pecados a ele. Você vai sair dali limpinho como se tivesse acabado de ser batizado. Eu procuro me confessar uma vez por mês, ou então sempre que for necessário, não é bom ficar guardando entulhos no nosso coração. Espero que você aproveite essa dica da 1º semana da quaresma, você vai ver como a confissão vai te fazer bem, a mim faz muito bem, é por isso que estou partilhando com você essa experiência bem da hora. Semana que vem você encontra aqui mais dicas para viver bem sua QUARESMA.

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sábado, 5 de março de 2011

Palavra do dia (05/03/11)

                               Evangelho (Marcos 11, 27-33)



— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!



Naquele tempo, 27Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Enquanto Jesus estava andando no Templo, os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os anciãos aproximaram-se dele e perguntaram: 28“Com que autoridade fazes essas coisas?
Quem te deu autoridade para fazer isso?” 29Jesus respondeu: “Vou fazer-vos uma só pergunta. Se me responderdes, eu vos direi com que autoridade faço isso. 30O batismo de João vinha do céu ou dos homens? Respondei-me”. 31Eles discutiam entre si: “Se respondermos que vinha do céu, ele vai dizer: ‘Por que não acreditastes em João?’ 32Devemos então dizer que vinha dos homens?” Mas eles tinham medo da multidão, porque todos, de fato, tinham João na qualidade de profeta. 33Então eles responderam a Jesus: “Não sabemos”. E Jesus disse: “Pois eu também não vos digo com que autoridade faço essas coisas”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.  


                                Reflexão

         Jesus expulsou os vendilhões do templo

O Evangelho de hoje nos mostra os sumos sacerdotes, os fariseus e os doutores da lei questionando Jesus sobre sua autoridade. Muitas vezes, vemos pessoas que duvidam das verdades da fé e questionam o próprio Deus sobre a legitimidade de suas ações e de seus princípios, mas se formos analisar mais a fundo a vida das pessoas que manifestam tal atitude, veremos que na verdade as suas vidas é que apresentam aspectos contraditórios porque os seus princípios de vida não são legítimos. Essas pessoas querem, na verdade, legitimar a sua vida marcada pelo erro e pelo pecado, por princípios que, na verdade, encontram o seu fundamento unicamente no egoísmo.(CNBB)
        Jesus ficou irado e com pedaços de corda na sua mão direita, gritava em alta voz dizendo que aqueles homens transformaram numa toca de  ladrões a casa em que todos devem entrar livremente para comunicar-se com o Pai através da oração.
        Depois disso  Jesus e os discípulos saíram da cidade. Ao voltarem de novo ao Templo, Jesus foi interpelado pelos seus adversários. Os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os anciãos revoltados com a atitude de Jesus ao expulsar os vendilhões do Templo, aproximaram-se dele e perguntaram:  Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso?' Jesus respondeu aquela pergunta com outra pergunta, a qual não foi respondida.  E por que os representantes do Sinédrio não responderam? Pelo seguinte: Para os judeus, o Templo, pelos sacrifícios que o povo nele oferecia por meio dos sacerdotes, tirava os pecados do povo. João Batista, em troca, sem cobrar nada, sem fazer nenhum negócio, fora do Templo, à margem da instituição do Templo, oferecia o perdão dos pecados, por meio do seu batismo, àquele que se convertia de coração e de obras. 
        Se as autoridades judaicas admitissem que o batismo de João procedia de Deus, então teriam de agüentar esta pergunta de Jesus: Então, por que continuam sacrificando animais para o perdão dos pecados? Por que não vão até João para serem convertidos, mostrando sua boa vontade de mudança e oferecendo-se a si mesmos como sacrifício através do batismo?
        Para Jesus o perdão dos pecados é obtido independentemente dos sacrifícios do Templo. Fora do Templo também se oferece esse perdão. Não só por meio de João (Me
1,4-5). O próprio Jesus perdoa os pecados (Me 2,5-7).
Dessa forma Jesus corrói os fundamentos do significado absurdo do Templo e da sua importância.(Fonte: Coleção Como Ler os Evangelhos).
        Irmãos. Aqueles que vivem no pecado, procuram sempre justificar-se fazendo questionamentos a respeito de Jesus e da Igreja. Já ouvi da boca de um certo professor, o seguinte: Jesus era tarado! Ele disse: deixai vir a mim as criancinhas! Disse aquele professor.
        Outros dizem: sexo não é pecado. Pecado é não fazer sexo. Tais afirmações poderiam até serem válidas se estivessem se referido ao casal, marido e mulher, cuja união foi abençoada por Deus na pessoa do sacerdote. Ou seja, no casamento.
        Da mesma forma já ouvimos vez por outra, pessoas que para justificar sua conduta fora do plano de Deus, a fazerem críticas e calúnias aos representes de Deus na Terra. A sorte desses nossos irmãos desgarrados, é que eles nem se importam com o Espírito Santo. Suas maledicências são sempre dirigidas a Jesus, Maria, aos padres e às freiras.  Pois as blasfêmias contra o Espírito de Deus não serão perdoadas, como disse Jesus.
        Rezemos por essas pessoas. São nossos irmãos e irmãs, pedindo a Jesus que tenha piedade de suas almas, e pedindo ao Pai para perdoá-los porque realmente não  sabem o que fazem!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Palavra do dia (04/03/11)

                            Evangelho (Marcos 11, 11-26)


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!


Tendo sido aclamado pela multidão, 11Jesus entrou, no Templo, em Jerusalém, e observou tudo. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os doze. 12No dia seguinte, quando saíam de Betânia, Jesus teve fome. 13De longe, ele viu uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. 14Então Jesus disse à figueira: “Que ninguém mais coma de teus frutos”. E os discípulos escutaram o que ele disse. 15Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. 17E ensinava o povo, dizendo: “Não está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? No entanto, vós fizestes dela uma toca de ladrões’. 18Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei ouviram isso e começaram a procurar uma maneira de o matar. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. 19Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da. cidade. 20Na manhã seguinte, quando passavam, Jesus e os discípulos viram que a figueira tinha secado até a raiz. 21Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoaste secou”. 22Jesus lhes disse: “Tende fé em Deus. 23Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: ‘Levanta-te e atira-te no mar’, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá. 24Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será. 25Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, 26para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor. 
 
 
                                     Reflexão
 
                      Nosso corpo, templo de Deus
 
No Evangelho de hoje, Cristo toma uma atitude surpreendente. Pois o Jesus que conhecemos anteriormente é Aquele que sempre se mostrou manso e humilde de coração, paciente e misericordioso com os pecadores. Hoje, porém, assume uma atitude que parece impulsiva e levada pela paixão do momento. No entanto, se observarmos com mais cuidado, veremos que não foi assim. Embora sendo o mais resumido de todos, o evangelista Marcos relata um pormenor que não aparece em nenhum dos outros três Evangelhos. O pormenor é este: “Chegou a Jerusalém e entrou no templo. Depois de ter examinado tudo em seu redor, como a hora já ia adiantada, saiu para Betânia com os Doze” (Mc 11,11) Ou seja, Nosso Senhor entrou no templo, viu a confusão que lá estava, mas não agiu no mesmo dia. Foi para Betânia, com os discípulos e passou lá a noite. Só no dia seguinte fez a purificação do local [templo], com um chicote de cordas feito por Ele.
Isso quer dizer que não foi uma atitude de impulso descontrolado, mas algo que provavelmente tenha sido objeto de Sua oração durante a noite, de Sua conversa com o Pai, por prezar pelo zelo de Sua casa.
Quando interrogado sobre a autoridade com que fazia aquilo e qual sinal dava de que poderia proceder assim, Jesus disse: “Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei!” Replicaram então os judeus: “Quarenta e seis anos levou este templo a construir, e Tu vais levantá-lo em três dias?” Ele, porém, falava do templo, que é o Seu Corpo (cf. Jo 2,19-21). Nosso Senhor estabelece, assim, uma analogia entre o Seu Corpo e o templo. São Paulo dirá também que esse Corpo de Cristo somos nós os batizados: “[…] assim acontece conosco: os muitos que somos formamos um só corpo em Cristo, mas, individualmente, somos membros que pertencem uns aos outros” (Rm 12,5). E ainda: “Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, porque o recebestes de Deus, e que vós já não vos pertenceis? Fostes comprados por um alto preço! Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1 Cor 6,19).
Mas a que corpo Jesus faz alusão hoje? É o meu e o seu, caro amigo. Cristo, reclamando pelos maus-tratos a que submetemos o nosso corpo, manchando-o e o profanando com os vícios do alcoolismo, da droga, da prostituição, adultério, fornicação, do homossexualismo, da bruxaria, feitiçaria, da criminalidade, das brigas e desavenças familiares pega no chicote e quer expulsar de nós tudo isso. Ele não quer que nos tornemos um covil de ladrões. Porque sendo nós batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, somos o Seu templo. E por isso, Jesus Cristo tem todo o direito de purificá-lo [esse templo], ou dito de outro modo: temos o direto de que Ele nos purifique.

Pai, ensina-me a viver a religião pura e agradável a Ti. Cheio de fé e disposto a perdoar e a viver reconciliado, que eu possa rejeitar tudo o que desvirtua a verdadeira religião para que me deixe purificar pela Tua Palavra e jamais me deixe levar pelos vícios e atrativos do mundo que profanam o meu corpo, templo do Vosso Filho Jesus, meu Salvador. Amém!

Padre Bantu Mendonça
Fonte: Retirado do Blog do padre Bantu
 

quarta-feira, 2 de março de 2011

Palavra do dia (02/03/11)

                                             Evangelho (Marcos 10, 32-45)



— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!




Naquele tempo, 32os discípulos estavam a caminho, subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente. Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele: 33“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. 34Vão zombar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará”. 35Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: “Mestre. queremos que faças por nós o que vamos pedir”. 36Ele perguntou: “Que quereis que eu vos faça?” 37Eles responderam: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!” 38Jesus então lhes disse: ‘Vos não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?” 39Eles responderam: “Podemos”. E ele lhes disse: “Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado. 40Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado”. 41Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se com Tiago e João, 42Jesus os chamou e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. 43Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande seja vosso servo; 44e quem quiser ser o primeiro seja o escravo de todos. 45Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor. 


                                  Reflexão

                 Seguir a Cristo é um aprendizado


Com a paixão de Jesus ao longo do caminho, podemos compreender e dar razão à nossa fé na pessoa e na missão de Jesus de Nazaré. A paixão de Cristo está presente nas paixões de tantas pessoas que vivem nas comunidades, nas pastorais e nos movimentos sociais que testemunham radicalmente o projeto libertador d’Ele. Assim, os anúncios da paixão se tornam o cerne, o núcleo da fé cristã na perspectiva da ressurreição. É a ressurreição a força motivadora para os discípulos superarem as contradições, as dificuldades e os desafios da caminhada.
É no caminho de Cesareia de Filipe (cf. 10, 27 a) para Jerusalém (cf. 10,32) que Jesus ensinará os discípulos sobre as implicações de Seu projeto. Ele mostrará como devemos segui-Lo diante dos conflitos, crises e desafios. A pedagogia do Senhor será um processo de contínua partilha e ensinamentos no caminho. Para isso, Ele precisou ficar sozinho com os discípulos a fim de catequizá-los. É no caminho que a catequese, a formação d’Ele ocorrerá. Será uma longa catequese sobre o “seguimento”.
A comunidade de Marcos é marcada por uma experiência de conflitos e crises. Diante disso, ela constrói a imagem de Jesus. Por isso que, em Mc 8, 27-30, Cristo, no auge da crise, quis avaliar a caminhada da sua comunidade fazendo uma pergunta simples e direta: “Quem dizem os homens que eu sou?”.
Estão subindo para Jerusalém e, embora já saibam qual seria o destino de Jesus, acontece o anúncio: “O Filho do Homem vai ser entregue aos chefes dos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. Vão caçoar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará” (cf. 10,33-34). Esse último anúncio mostrará claramente que o seguimento de Jesus não tem privilégios como pensavam os discípulos, porque a caminhada é marcada não só de glória. Passa pela coragem de deixar tudo para suportar a opção de vida que levará ao longo do caminho. O caminho de Jesus Nazareno será marcado pela rejeição, pela perseguição, luta e sofrimento. Essas são as condições para se chegar à glória.
E para, definitivamente, mostrar que para segui-Lo é preciso, muitas vezes, ser curado da surdez e da cegueira, estas estavam presentes durante todo o caminho. Por isso era difícil que os discípulos compreendessem a mensagem do Senhor Jesus a respeito da Sua Paixão como condição de segui-Lo.
Portanto, os três anúncios da Paixão de Jesus Cristo se encerram com a cura do cego de Jericó (cf. 10,46-52). O cego curado se põe a “seguir a Jesus pelo caminho”, o que não fizera o cego de Betsaida, no capítulo 8, nem o homem rico. Bartimeu é apresentado, assim, como modelo do discípulo. Jesus cura e ilumina Deus discípulos, tornando-os capazes de segui-Lo.

Pai, a exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, transforma-me em servidor de meus semelhantes, e não me deixes ter medo de colocar minha vida a serviço de quem precisa de mim.

Padre Bantu Mendonça
Fonte: Retirado do Blog do padre Bantu

terça-feira, 1 de março de 2011

Palavra do dia (01/03/11)

                                                   Evangelho (Marcos 10, 28-31)



— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!



Naquele tempo, 28começou Pedro a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. 29Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna.
31Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



                                               Reflexão

               A escolha de Pedro também precisa ser nossa escolha

O texto do Evangelho de ontem – no qual Jesus apresentava a incapacidade dos homens e mulheres apegados aos bens em segui-Lo, – opõe-se ao de hoje. Vemos Pedro a professar seu despojamento de tudo para ir atrás do Mestre: “Veja! Nós deixamos tudo e seguimos o Senhor”.
Quero crer que, nas palavras de Pedro, não só estavam as dos outros apóstolos, como também estão as minhas e as suas. Estão as palavras de todos nós quando nos desfazemos e nos despimos dos nossos orgulhos, vaidades, soberbas. Assim como Pedro, nos Evangelhos, tomava decisões em nome da comunidade dos apóstolos, do mesmo modo continua nos dias de hoje falando e nos representando.
É necessário que você e eu façamos nossa a proposta e escolha de Pedro, ou seja, abandonar o apego ao bem privado e gozar do bem partilhado, comunitário. Aliás, a partilha, o abandonar-se a si mesmo e o tomar a cruz todos os dias e seguir Jesus são o caminho certo para a construção do mundo novo de justiça e paz.
Cristo chama-nos, para nos justificar sem cessar; e cada vez mais, Ele quer santificar-nos e nos glorificar. Veja o que Ele diz: “Aquele que, por causa de mim e do Evangelho, deixar casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras receberá muito mais, ainda nesta vida. Receberá cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos, terras e também perseguições”.
Devemos compreendê-lo, mas somos lentos a dar-nos conta dessa grande verdade: Cristo caminha de alguma forma no meio de nós e, com Sua mão, olhos e voz nos faz sinal para que O sigamos. Não percebemos que o apelo do Senhor é qualquer coisa que ocorra neste mesmo momento. Pensamos que ocorreu no tempo dos apóstolos; mas não acreditamos n’Ele, não O ouvimos verdadeiramente hoje.
O chamado de Jesus Cristo é atualíssimo e nos propõe vida em plenitude. Ele é a concretização de uma nova criação e de uma paz total dos homens entre si e entre estes e Deus.

Pai, dá-me a graça de entregar-me totalmente ao serviço do Reino, sem esperar outra recompensa além de saber-me amado por Ti.

Padre Bantu Mendonça
Fonte: Retirado do Blog do padre Bantu